As temperaturas mais baixas registradas nas últimas semanas causaram impactos significativos na atividade apícola em diversas regiões do Rio Grande do Sul, conforme dados do Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado no dia 28 de maio. O frio intenso alterou o comportamento das abelhas, reduziu a disponibilidade de recursos naturais e exigiu ações adicionais dos produtores para preservar as colmeias e manter a produção.
Em Itaqui, na região de Bagé, o principal problema registrado foi a aceleração da cristalização do mel, provocada pelas temperaturas baixas. O fenômeno torna mais difícil o processo de extração do produto, especialmente para os apicultores que não contam com estruturas climatizadas em suas instalações, o que pode atrasar a colheita e afetar a qualidade do material obtido.
Nas regiões de Caxias do Sul, Erechim, Porto Alegre e Santa Rosa, os efeitos combinados do frio, da redução das floradas e de chuvas pontuais reduziram drasticamente o forrageamento — atividade em que as abelhas coletam néctar, pólen e água. Com menos alimento natural disponível, os produtores passaram a fornecer suplementação proteica às colmeias e a intensificar os cuidados preparatórios para o inverno. A exceção ficou com a região de Ijuí, onde as reservas alimentares armazenadas nas colmeias ainda são consideradas satisfatórias, garantindo a manutenção dos enxames no curto prazo.
Em Frederico Westphalen, o frio foi tão intenso que interrompeu completamente o forrageamento das abelhas. Diante desse cenário, os apicultores direcionaram seu trabalho para a revisão detalhada das colmeias, a substituição de favos antigos e danificados e a adoção de medidas sanitárias rigorosas, fundamentais para evitar doenças e garantir a sobrevivência dos insetos durante a estação mais fria do ano.
Já na região de Passo Fundo, a limitação veio da variedade de plantas em floração: apenas espécies como cipó, eucalipto e nabo estão com flores no período. Essa restrição reduz ainda mais as opções de alimento para as abelhas, diminuindo a atividade nos apiários e reduzindo os recursos armazenados para o inverno.
Na região de Pelotas, o foco dos produtores está na preparação para os meses mais frios. As ações incluem suplementação alimentar constante e controle rigoroso do tamanho e da organização dos enxames, estratégias que visam aumentar a resistência das colmeias às condições climáticas adversas. Em Santa Vitória do Palmar, o setor teve um momento de destaque: no dia 22 de maio, foi realizado o 9º Concurso Regional de Qualidade do Mel, que avaliou produtos de abelhas Apis, além de espécies nativas como Jataí e Mandaçaia. O evento reuniu cerca de 200 pessoas, entre produtores, técnicos da Emater/RS-Ascar, autoridades, estudantes e representantes de entidades do setor. Além da premiação dos melhores méis, a programação incluiu atividades educativas, palestras sobre a importância das abelhas para o meio ambiente e demonstrações de pratos da gastronomia que usam o mel como ingrediente principal.
Nem todos os desafios, porém, estão ligados ao clima. Na região de Soledade, os apicultores enfrentam também dificuldades econômicas: o mercado interno não tem absorvido toda a produção obtida na última safra, o que gera estoques acumulados e dificulta o escoamento do produto. Essa situação preocupa os produtores, que contam com a venda do mel como uma das principais fontes de renda da atividade.
Diante desse cenário, a orientação da Emater/RS-Ascar é que os apicultores mantenham o monitoramento constante das colmeias, continuem com as práticas de manejo adequadas ao inverno e busquem alternativas de comercialização para minimizar os prejuízos causados pelas condições climáticas e pelas dificuldades do mercado.
FONTE/CRÉDITOS: RS News
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