Debater o acesso à água potável e ao saneamento básico como direitos fundamentais. Este é o foco principal de realização da 33ª Semana Interamericana da Água e da 26ª Semana Estadual da Água do RS em 2026, que acontece de 03 a 16 de outubro em grande parte dos municípios gaúchos. Com o tema central “Universalização do Saneamento – Água para Quem?”, os eventos se propõem a refletir sobre os desafios da inclusão, da equidade territorial, da justiça socioambiental e da segurança hídrica.
Entre as atividades, acontece nesta quarta-feira (14/10), no auditório do Sindicato dos Engenheiros do RS (Senge), em Porto Alegre, o Seminário Universalização do Saneamento – Água para Quem?, das 8h30 às 17h. O evento se propõe a discutir os caminhos necessários à universalização do saneamento, a importância da regulação, a gestão e a proteção dos recursos hídricos e os desafios enfrentados pelo Rio Grande do Sul para garantir água e saneamento de qualidade para todos. As inscrições estão abertas pelo https://eventos.abes-rs.org.
Promovidas pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RS), com apoio da Emater/RS-Ascar e outras instituições, as Semanas Interamericana e Estadual da Água abordam a realidade dos usos da água e avaliam situações em que a falta de saneamento pode comprometer a qualidade da água utilizada pelas famílias. “No meio rural, ainda existem propriedades onde pocilgas, currais e fossas são instalados próximos a poços, aumentando o risco de contaminação”, alerta Gabriel Ludwig Katz, geógrafo e coordenador das áreas de Saneamento Básico Rural, Educação Ambiental e Gestão Ambiental, da Emater/RS-Ascar. Para participar das atividades em seu município, busque informações no escritório da Emater/RS-Ascar.
Para Katz, é possível ter a dimensão do desafio, a partir dos dados oficiais do Censo do IBGE de 2022, que aponta diferenças nas formas de abastecimento de água. “Embora 82,9% da população brasileira tivesse a rede geral de distribuição como principal fonte de abastecimento, outras parcelas dependiam de poços, fontes e nascentes”, diz. No caso do esgoto, dados do Ministério das Cidades calculam que o atendimento da população por rede coletora chegava a 51,5%, enquanto que 59,7% da população brasileira é atendida por rede coletora de esgoto. Na área rural, o índice era de apenas 5,6%.
SEMANA DA ÁGUA PARA QUEM?
Durante a 26ª Semana Estadual da Água, a Emater/RS-Ascar colabora com diversas ações nos 497 municípios do Estado. Com o tema Universalização do saneamento - Água para quem?, a proposta é provocar uma reflexão sobre de onde vem a água que consumimos. “Seja no meio rural como no urbano, a água das chuvas precisar infiltrar no solo, para depois surgir nas nascentes, abastecer os cursos d'água e, após as captações, abastecer as pessoas”, observa.
“A água é o mais importante recurso natural que nós temos, junto com os solos, que também nos permitem a produção dos alimentos. Mas o acesso justo e igualitário à água de qualidade e ao saneamento básico é indispensável para a saúde, a dignidade humana, a produção de alimentos e a sustentabilidade dos territórios”, ressalta Katz.
Para o extensionista, a água no meio rural é muito mais do que apenas um recurso natural. “Estamos falando da base da vida das pessoas, das famílias agrícolas, da produção de alimentos, da permanência das pessoas no campo e da resiliência das comunidades frente aos desafios cada vez mais evidentes no atual momento de emergência climática”, avalia, ao citar os prolongados períodos de estiagem e mesmo as enchentes de 2024, que fizeram as pessoas refletirem que a água não pode ser mais tratada como um recurso inesgotável. “Precisamos falar da gestão das águas, da conservação e proteção das fontes hídricas e do uso responsável desse importante recurso natural que temos disponível”, diz Katz.
ÁGUA E EXTENSÃO RURAL E SOCIAL
Ao longo de sua história, os extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar atuam ao lado das famílias rurais e comunidades, promovendo ações de educação ambiental, saneamento básico rural, proteção de nascentes, manejo conservacionista do solo, gestão dos resíduos e usos sustentáveis dos recursos naturais. “São ações que favorecem o abastecimento do principal reservatório de água que temos, que são os solos”, avalia Katz ao afirmar sua convicção de que segurança hídrica começa muito antes da torneira. “Ela começa na conservação dos solos, na proteção das áreas de recarga, que funcionam como esponja, permitindo que a água infiltre e abasteça os aquíferos”, observa.
As Áreas de Preservação Permanente (APPs) são produtoras de água, e sua vegetação preservada retém grande parte da água das chuvas, evitando processos erosivos e o assoreamento dos rios, e diminuindo, por consequência, os impactos de uma enchente ou mesmo de estiagens prolongadas, porque a vegetação retém a água no solo. “Então, quando o solo é protegido pela vegetação, as águas são conservadas. Quando uma nascente é protegida, estamos investindo no futuro. Quando os resíduos da propriedade, domésticos ou produtivos, são tratados de forma adequada, a saúde das pessoas é protegida, assim como a qualidade dos mananciais”, avalia Katz. Através do trabalho da Emater/RS-Ascar, são realizadas ações de manejo e conservação dos recursos naturais, orientando sobre as práticas capazes de aumentar a infiltração da água no solo, reduzir a erosão, ampliar a recarga dos aquíferos e fortalecer a sustentabilidade dos sistemas produtivos
“Garantir água para todos significa também garantir o saneamento para todos, porque não existe segurança hídrica sem saneamento. Assim como não existe desenvolvimento sustentável sem inclusão social. Mas do que nunca, precisamos fortalecer uma cultura de corresponsabilidade. A gestão da água não é tarefa de uma única instituição, é um compromisso coletivo”, conclui o extensionista.
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