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Dia Internacional das Mulheres Rurais: protagonismo feminino transforma a realidade no campo
Arquivo pessoal da agricultora Cristine Saldanha, de Porto Alegre

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Dia Internacional das Mulheres Rurais: protagonismo feminino transforma a realidade no campo

Dia Internacional das Mulheres Rurais: protagonismo feminino transforma a realidade no campo

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Por muito tempo a mulher do campo foi vista principalmente como alguém que ajudava a família na propriedade, mas essa realidade está em contínua mudança nas últimas décadas. A Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) para Mulheres Rurais, desenvolvida pela Emater/RS-Ascar, faz parte dessa trajetória e acompanha o processo de transformação. Suas iniciativas buscam fortalecer a autonomia, a participação e o protagonismo feminino no meio rural, levando informação, capacitação e oportunidades para mulheres de diferentes realidades.

 

DIFERENTES MULHERES, HISTÓRIAS DIVERSAS, DESAFIOS SEMELHANTES

 

As mulheres rurais assessoradas pela Emater/RS-Ascar formam um grupo diverso, composto por agricultoras e pecuaristas familiares, pescadoras, indígenas, quilombolas e assentadas da reforma agrária. Embora tenham histórias e modos de vida diferentes, muitas compartilham desafios semelhantes. Por isso, a Aters para Mulheres Rurais atua em diferentes frentes. São realizadas capacitações, cursos, rodas de conversa e oficinas sobre temas como agroindústria familiar, políticas públicas, gestão financeira, empreendedorismo feminino e saúde preventiva.

 

Levantamentos realizados pela Emater/RS-Ascar mostram que 53% das mulheres atendidas nas propriedades rurais têm mais de 50 anos, são casadas e têm filhos. Muitas continuam à frente das propriedades mesmo depois da aposentadoria. São mulheres que acumulam funções, cuidam da família, participam da produção, administram atividades e, cada vez mais, buscam espaços para pensar também em seus próprios projetos de vida.

 

As mulheres têm papel estratégico no fortalecimento da agricultura familiar e da economia local. Presentes em todas as etapas da produção, elas participam do planejamento do plantio, cultivo, colheita, beneficiamento dos alimentos e comercialização. Além de contribuir para a geração de renda, também ajudam a preservar conhecimentos tradicionais, sementes e práticas sustentáveis.

 

Na propriedade de Cristine Saldanha, produtora na Região Metropolitana de Porto Alegre, sua família cultiva hortaliças e frutas em sistema de agrofloresta. Segundo Cristine, a organização dos produtores e produtoras da região ajuda a aproximar quem produz de quem consome e a criar novas oportunidades de renda. “Para que essas oportunidades cheguem a todas, é preciso considerar as dificuldades de deslocamento, a falta de transporte e de internet em algumas localidades e a sobrecarga de trabalho e cuidados. Creches, espaços de cuidado durante reuniões e cursos, ações de prevenção e enfrentamento à violência no campo também são essenciais. E, acima de tudo, precisamos ser reconhecidas como agricultoras e participar das decisões sobre as políticas que afetam nossas vidas e nosso trabalho”, destaca.

 

UM ESPAÇO PARA FALAR, OUVIR E SE RECONHECER

 

Nessa jornada evolutiva no meio rural, a necessidade de criar espaços seguros para a conversa ficou ainda mais evidente a partir de uma pesquisa concluída pela Instituição em 2022. As próprias mulheres apontaram que gostariam de ter lugares onde pudessem falar sobre assuntos que nem sempre conseguiam abordar em outros ambientes. “Foi a partir dessa demanda que promovemos desde 2023 o Curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais. A formação é organizada em módulos e propõe uma caminhada de autoconhecimento, troca de experiências e construção de autonomia”, destaca a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Clarice Emmel Bock.

 

Em 2024, a Instituição prestou atendimento a 114.331 mulheres, correspondendo a 43,08% do total de pessoas atendidas. Em atividades específicas, mais de 45 mil mulheres foram alcançadas nos 497 municípios gaúchos. Em 2025, foram 118.101 mulheres atendidas em diferentes atividades, sendo 48.954 em ações específicas.

 

Os números revelam a dimensão de um trabalho que acontece perto das comunidades e que busca transformar informação em oportunidade. Entre os resultados apresentados estão o aumento da renda média das famílias atendidas, a formalização de novas associações de mulheres e a ampliação de iniciativas comunitárias de sustentabilidade, além do crescimento da participação feminina em espaços locais de decisão.

 

“Nosso trabalho consiste em fazer atividades grupais, de formação e trocas de experiências”, explica Clarice. “Levar informação é também uma forma de viabilizar que as mulheres conheçam seus direitos e tenham mais condições de decidir sobre suas próprias vidas”, conclui.

 

UM ANO PARA OLHAR PARA QUEM ALIMENTA O MUNDO

 

Em 2026, no Ano Internacional da Mulher Agricultora, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o protagonismo feminino no campo ganha ainda mais visibilidade. Reconhecer essas mulheres é também reconhecer que o futuro de uma agricultura mais justa, sustentável e resiliente passa, necessariamente, pelas mãos delas.

 

Além disso, celebrar neste 15 de outubro o Dia Internacional da Mulheres Rurais, também instituído pela ONU, é reconhecer o protagonismo dessas mulheres que cuidam da terra, produzem alimentos, administram propriedades, sustentam famílias e movimentam comunidades inteiras. São produtoras, gestoras, empreendedoras, cuidadoras, lideranças e protagonistas de uma transformação que acontece todos os dias.

 

 

 

FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
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