Começou nesta quarta-feira, dia 17 de junho, e segue até esta quinta-feira, dia 18, o primeiro Encontro Técnico de Rotas de Transição Produtiva do Rio Grande do Sul. O evento acontece no Espaço Inovação da Secretaria da Fazenda, no centro de Porto Alegre, e reúne pesquisadores, gestores públicos, representantes de instituições do setor e especialistas para construir caminhos mais sustentáveis, seguros e rentáveis para a produção agropecuária do Estado.
A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a Secretaria da Fazenda (Sefaz), o Instituto Clima e Sociedade e o Instituto para Governança Territorial e Políticas Públicas, com participação de entidades como Embrapa, Emater, Irga, Farsul, Fetag e Ocergs. O objetivo principal é debater políticas públicas, investimentos e adaptações voltadas às culturas prioritárias: soja, milho, trigo, arroz, uva, além da pecuária de corte e de leite.
Desafios e soluções para o produtor
Na abertura, o secretário da Seapi, Márcio Madalena, destacou que o momento exige organização e respostas estruturadas para o setor. “Precisamos de políticas públicas que estejam à altura do potencial da nossa agropecuária. Hoje, por exemplo, um dos grandes desafios é a renegociação de dívidas, e espero que esse encontro ajude a construir soluções compatíveis com a realidade e a força do Rio Grande do Sul”, afirmou.
Para o secretário-adjunto da Fazenda, Itanielson Cruz, o trabalho é essencial para unir desenvolvimento e preservação. “Queremos aproximar o campo da sustentabilidade financeira e climática, pois a produção agropecuária tem papel central na economia gaúcha”, explicou.
O projeto apresentado durante o encontro está organizado em três eixos principais:
- Dimensão climática: análise de riscos, aptidão das regiões e impacto das mudanças do clima;
- Dimensão produtiva: tecnologias, manejo e soluções técnicas para cada cultura;
- Dimensão econômica: viabilidade de negócios, acesso a recursos e retorno para o produtor.
Também são trabalhados temas transversais, como o perfil do produtor, a migração no meio rural e a influência do setor no PIB do Estado.
Clima e tecnologia: pontos centrais do debate
Um dos destaques da programação foi a apresentação do coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante, que abordou os impactos dos eventos climáticos extremos — como estiagens, secas e enxurradas — na produção. Ele usou dados de nove municípios produtores, entre eles Cruz Alta, Passo Fundo, Santa Maria e Pelotas, para mostrar o aumento da temperatura, a variação nas chuvas e os efeitos na aridez do solo.
Brilhante detalhou ainda as metas do Plano de Agricultura de Baixo Carbono, que prevê até 2030 a adoção de boas práticas: recuperação de pastagens degradadas, sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, uso de bioinsumos e expansão da irrigação — que hoje cresce entre 20 mil e 30 mil hectares por ano no Estado. “Tecnologias como essas ajudam a armazenar água no solo e a proteger a produção contra perdas”, explicou.
O auditor-fiscal da Sefaz, Jorge Tonetto, lembrou que, nas últimas duas décadas, cerca de 39% dos impactos causados por desastres naturais no RS atingiram diretamente a atividade agrícola. “A adaptação produtiva é uma necessidade, pois o clima define o que e como produzimos”, completou.
O pesquisador Ronaldo Torres, do Instituto para Governança Territorial, apresentou um modelo que analisa cada cadeia produtiva e aponta ações específicas para soja, milho, arroz, pecuária e até biocombustíveis. Ele reforçou que fenômenos como El Niño e La Niña são causas frequentes de quebra de safra e que cada região precisa de uma estratégia própria. “Não existe uma receita única; é preciso organizar núcleos produtivos com características parecidas para obter melhores resultados”, disse.
Próximos passos
Além dos dias 17 e 18 de junho, o calendário do projeto prevê mais dois encontros: nos dias 10 e 27 de agosto. O resultado dos debates vai subsidiar a criação de políticas públicas territoriais, com foco em segurança, produtividade, geração de emprego e resiliência climática.
A ideia é que o Rio Grande do Sul se torne referência nacional em transição produtiva, unindo tradição, ciência e cuidado com o meio ambiente.
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FONTE/CRÉDITOS: Ascom Seapi
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