A intercooperação Soli3, formada pelas cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, recebeu nesta quinta-feira (18), das mãos do governo do Estado, a licença de instalação que autoriza o início das obras da sua indústria de processamento de soja e produção de biodiesel. O documento foi entregue em cerimônia no Palácio Piratini, e marca o fim de todo o processo de licenciamento ambiental, com cumprimento de todas as exigências da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
O empreendimento será instalado no município de Cruz Alta, na região Noroeste do Rio Grande do Sul, e conta com investimento total previsto de cerca de **R$ 1,25 bilhão**, somando recursos próprios das cooperativas e linhas de crédito voltadas para inovação. A expectativa é de um faturamento anual de R$ 2,5 bilhões, com produção de óleo degomado, biodiesel, farelo de soja e casca peletizada — produtos que agregam valor à matéria-prima, diferente da exportação de grãos in natura.
União de forças e impacto regional
A Soli3 reúne três grandes cooperativas gaúchas: a Cotrijal, de Não-Me-Toque, a Cotripal, de Panambi, e a Cotrisal, de Sarandi. Juntas, elas atendem a mais de 35 mil associados em mais de 100 municípios e somam capacidade de armazenamento superior a 2,8 milhões de toneladas de grãos.
Para Germano Döwich, presidente da Cotripal e da Soli3, o projeto representa um salto para a economia local e para a matriz energética do país. “Vamos participar ativamente da produção de biocombustíveis, um mercado fundamental para reduzir a emissão de poluentes de combustíveis fósseis. Geramos riqueza aqui dentro do estado, beneficiamos nossos produtores e fortalecemos todo o Rio Grande do Sul”, destacou.
O presidente da Cotrijal, Nei César Manica, reforça que a indústria será um marco histórico. “Transformar matéria-prima em produtos com valor agregado traz desenvolvimento real para todas as regiões onde atuamos. É um ganho econômico para as cooperativas e para toda a sociedade gaúcha”, afirmou.
Obras começam dia 1º de julho; geração de vagas é destaque
A previsão é que as obras sejam iniciadas oficialmente no dia 1º de julho, com serviços de terraplanagem e montagem do canteiro de obras. A planta industrial ocupará uma área total de 138 hectares, com 75 mil metros quadrados de área construída.
Durante a execução da construção, serão gerados cerca de 1 mil empregos diretos. Quando estiver em operação, a indústria vai manter 150 vagas diretas e estimular aproximadamente 500 postos de trabalho indiretos, movimentando o comércio e os serviços da região.
“Além de agregar valor à produção dos nossos associados, esse projeto é um vetor de crescimento. Gera emprego, renda e reforça nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável”, completou Walter Vontobel, presidente da Cotrisal.
O governador Eduardo Leite participou da entrega da licença e destacou o empreendimento como exemplo do potencial gaúcho. “Investimentos como esse mostram que o RS está preparado para crescer com responsabilidade. Estamos criando condições para atrair grandes projetos, fortalecer nossas cadeias produtivas e levar oportunidades para todos os cantos do estado”, ressaltou.
Tecnologia de ponta e produção em duas etapas
A Soli3 se posiciona como uma das esmagadoras de soja mais modernas do Brasil, com alto nível tecnológico e rigor em segurança operacional. Conta com capacidade para armazenar até 160 mil toneladas de grãos e um Centro de Operações Integradas (COI), que monitora todos os processos em tempo real.
Um dos diferenciais é o uso da tecnologia de gêmeo digital: uma réplica virtual exata da planta industrial, que permite simulações, testes e prevenção de falhas antes que elas ocorram na prática.
A produção será dividida em duas fases:
- Primeira fase: processamento de 3 mil toneladas de soja por dia (1 milhão de toneladas/ano), gerando 600 toneladas de biodiesel diárias — cerca de 200 mil toneladas por ano.
- Segunda fase: ampliação para 7,2 mil toneladas de soja processadas por dia (2,6 milhões de toneladas/ano), com produção de até 1,5 mil toneladas de biocombustível por dia, ou 500 mil toneladas anuais.
Com todos esses números, a Soli3 deve se tornar uma das principais referências do setor no país, unindo produção, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento econômico para o Rio Grande do Sul.
FONTE/CRÉDITOS: Portal RS News
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