O Rio Grande do Sul se tornou, nesta semana, a sede de um importante treinamento internacional promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Realizada no Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (IPVDF), a capacitação reúne especialistas de sete países entre os dias 8 e 12 de junho, com o objetivo de padronizar metodologias de diagnóstico e fortalecer o monitoramento mundial da resistência de carrapatos a produtos químicos.
Participam profissionais do Brasil, México, Uruguai, Equador, Panamá, Uganda e da ilha de Guadalupe, território francês no Caribe. A iniciativa integra um programa global da FAO iniciado em 2021, que busca estruturar uma rede internacional de laboratórios, unificar procedimentos e gerar dados comparáveis sobre a distribuição e a intensidade da resistência em diferentes regiões do planeta.
Segundo o diretor do IPVDF, José Reck, receber representantes de nações tão distintas reforça a importância do trabalho desenvolvido no estado. “É uma grande satisfação receber essas comitivas. A troca de experiências e a padronização das ações permitem melhorar o controle de carrapatos e a comunicação com a sociedade, além de promover maior integração entre governos e instituições”, destacou.
A proposta da organização é definir um laboratório de referência por continente, responsável por capacitar equipes, coordenar pesquisas e desenvolver estratégias mais eficazes de diagnóstico e manejo sustentável. A escolha do instituto gaúcho como sede se deve à sua tradição: há mais de 50 anos, o IPVDF atua no estudo da resistência a carrapaticidas e já participa ativamente do grupo de trabalho da FAO que define as técnicas oficiais.
“Somos referência mundial no tema e fomos indicados para capacitar os laboratórios da América Latina que farão parte dessa rede. Nosso trabalho é garantir que todos utilizem os mesmos critérios, para que os resultados sejam confiáveis e comparáveis”, explicou Guilherme Klafke, pesquisador do Laboratório de Parasitologia do instituto.
Para Francisco Martinez, representante do México, a atividade é fundamental para alinhar o trabalho entre os países. “Já realizamos testes semelhantes, mas estamos aqui para confirmar que nossas doses e métodos seguem os padrões internacionais. Assim, todos falamos a mesma linguagem técnica”, afirmou.
A programação combina aulas teóricas, demonstrações práticas em laboratório e visitas a propriedades rurais para coleta de amostras. Além dos convidados internacionais, participam técnicos da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Corte e do Instituto Biológico de São Paulo. Uma segunda etapa do treinamento está prevista para setembro, novamente nas instalações do IPVDF, com um novo grupo de profissionais da América Latina.
A ação tem apoio financeiro da FAO e da Fundação Bill & Melinda Gates, que custeiam a participação dos estrangeiros. No Rio Grande do Sul, o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) viabiliza um serviço essencial: os testes de resistência a carrapaticidas são oferecidos gratuitamente aos produtores rurais, como forma de auxiliar o setor pecuário no combate ao problema.
Com essa capacitação, o Estado reforça seu protagonismo na pesquisa agropecuária e contribui diretamente para a construção de soluções globais que garantam mais produtividade, saúde animal e sustentabilidade para o setor.
FONTE/CRÉDITOS: Portal RS News
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