A semeadura do trigo começou de forma ainda limitada no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola para os principais materiais utilizados no estado. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar.
De acordo com o relatório, o tempo seco registrado nos últimos dias favoreceu os trabalhos de manejo de resteva, dessecação e implantação das primeiras áreas da cultura. Apesar das condições climáticas momentaneamente favoráveis, os produtores mantêm cautela em relação à safra 2026 devido ao aumento dos custos de produção, às restrições no acesso ao crédito rural e às incertezas provocadas pela possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
A Emater/RS-Ascar aponta tendência de redução na área cultivada com trigo no estado, impulsionada pela menor expectativa de rentabilidade e pela substituição da cultura por alternativas de inverno, como canola, aveia e plantas de cobertura.
O levantamento também indica diminuição no nível tecnológico empregado nas lavouras. Segundo o boletim, houve aumento no uso de sementes próprias nas propriedades e redução na procura por sementes fiscalizadas. As cooperativas e empresas sementeiras seguem com elevado volume de estoque devido à baixa demanda do mercado.
A estimativa oficial da área destinada ao trigo na safra 2026 ainda está em fase de levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares da cultura, com produtividade média de 2.968 quilos por hectare e produção total de 3,45 milhões de toneladas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Na região administrativa de Bagé, especialmente na Fronteira Oeste, o tempo seco e a abertura da janela de semeadura permitiram o início da implantação das lavouras. Já em São Borja, o excesso de chuvas registrado em abril dificultou a antecipação do plantio, estratégia utilizada em anos anteriores para reduzir riscos climáticos durante a primavera.
Na regional de Ijuí, os produtores seguem realizando manejo de plantas espontâneas enquanto aguardam definição sobre a área a ser cultivada. O cenário econômico e climático ainda influencia as decisões de investimento para a próxima safra. Na região, as plantas de cobertura apresentam bom desenvolvimento, com destaque para o nabo-forrageiro.
Já na regional de Santa Rosa, a semeadura atinge cerca de 1% da área projetada. As primeiras áreas foram implantadas principalmente por agricultores menos dependentes de financiamento e em regiões com menor risco de geadas.
Segundo a Emater/RS-Ascar, existe projeção de redução de aproximadamente 20% na área cultivada com trigo em relação à safra passada. Entre os fatores apontados estão a substituição da cultura por canola, aveia-branca, mix de plantas de cobertura e sistemas integrados com milho precoce seguido de soja safrinha.
O relatório também destaca que os produtores que permanecerão no cultivo tendem a reduzir investimentos tecnológicos ao longo do ciclo produtivo, refletindo o cenário de cautela que marca o início da safra de trigo no estado.
FONTE/CRÉDITOS: Ascom Emater
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