Nesta quinta-feira (12/03), na propriedade de Juarez Grando, na Capela Saúde, em Serafina Corrêa, foi realizado um Curso de Vinificação voltado à produção de vinho artesanal. Com a coordenação dos extensionistas rurais Edson Bonatto e Daniel Moacir Grigion, a atividade teve caráter essencialmente prático, reunindo participantes interessados em aprender ou aperfeiçoar técnicas relacionadas à elaboração de vinhos em pequena escala.
Conforme o extensionista rural Gilnei Copini, do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar de Serafina Corrêa, "a iniciativa teve como objetivo incentivar a produção artesanal de vinhos, buscar o resgate da memória material e imaterial de vinho no município, assim como colocar em evidência a cadeia vitícola local e regional. Além disso, o curso visou aprofundar conhecimentos técnicos básicos, contribuindo para que agricultores e interessados possam elaborar vinhos com maior segurança, qualidade e respeito às boas práticas de vinificação".
Durante o encontro, os participantes receberam orientações sobre a escolha das uvas, especialmente a importância da seleção de frutos maduros, sadios e com bom equilíbrio entre açúcares e acidez, fatores fundamentais para garantir qualidade ao vinho. Também foram abordadas práticas de higienização e sanitização de recipientes, utensílios e equipamentos utilizados no processamento da uva, etapa essencial para evitar contaminações microbiológicas indesejadas que podem comprometer o processo de fermentação.
Na parte prática, foi demonstrado o processo de desengace e moagem das uvas, etapa em que os grãos são separados do engaço e levemente rompidos para liberar o mosto (suco da uva). A partir desse mosto, inicia-se a fermentação alcoólica, conduzida por leveduras que transformam os açúcares naturais da uva, principalmente glicose e frutose, em álcool etílico, dióxido de carbono e diversos compostos aromáticos responsáveis pelo perfil sensorial do vinho.
Durante o curso foram apresentados os principais cuidados técnicos para uma fermentação adequada. Entre eles, o controle da temperatura do mosto, geralmente mantida entre aproximadamente 20°C e 28°C para vinhos tintos artesanais, faixa que favorece a atividade das leveduras e a extração equilibrada de cor, taninos e aromas presentes nas cascas. Temperaturas muito elevadas podem prejudicar as leveduras e causar perda de aromas, enquanto temperaturas muito baixas podem retardar ou interromper o processo fermentativo.
Também foi discutida a importância do acompanhamento da densidade do mosto ao longo da fermentação, método que permite monitorar a transformação dos açúcares em álcool e avaliar a evolução do processo. Esse controle auxilia o produtor a identificar o momento adequado para a descuba, etapa em que o vinho é separado das partes sólidas após o período de maceração.
A capacitação destacou ainda que uma fermentação bem conduzida é determinante para a estabilidade e qualidade final do vinho, influenciando diretamente aspectos como aroma, sabor, cor e estrutura da bebida.
FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar - Regional de Caxias do Sul
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