O primeiro mês de vigência do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia já trouxe um resultado expressivo para a indústria do Rio Grande do Sul. Em maio de 2026, as vendas externas para o bloco europeu somaram **US$ 302 milhões**, o que representa um crescimento de 53% em comparação com o mesmo período do ano passado — um acréscimo de US$ 105 milhões. Os números, divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Sistema FIERGS, também ficaram 41,3% acima da média dos meses de maio registrados entre 2021 e 2025.
Para o presidente da FIERGS, Claudio Bier, o desempenho inicial confirma o potencial do acordo. “É um indicativo muito positivo. Agora é hora de as empresas aproveitarem as oportunidades, ajustarem contratos e a logística para ampliar ainda mais a competitividade e os negócios com o mercado europeu”, destacou.
Aves são o grande destaque
O principal motor desse crescimento foi o setor de frigoríficos, responsável por quase um quarto do aumento total. Dentro desse ramo, o abate de aves se destacou de forma histórica: as exportações de carne de frango atingiram US$ 35,6 milhões no mês, um salto de 218% frente a maio de 2025 e de 278% em relação à média dos últimos cinco anos.
Parte desse movimento pode estar ligada a medidas de precaução do mercado: a União Europeia anunciou novas regras sanitárias que passam a valer em setembro, com restrições ao uso de antimicrobianos e exigências rigorosas de rastreabilidade. Como o Rio Grande do Sul já segue padrões elevados e não utiliza as substâncias proibidas, produtores e compradores europeus anteciparam entregas para garantir operações antes das mudanças.
Mesmo descontando o desempenho dos frigoríficos, o restante da indústria de transformação também cresceu: vendeu US$ 264 milhões ao bloco, valor 28,9% superior à média histórica, mostrando que o avanço foi sentido em diversos segmentos.
Resultado geral: alta de 7,7% nas exportações
No balanço geral do mês de maio, a indústria gaúcha exportou **US$ 1,4 bilhão**, alta de 7,7% (mais US$ 98,3 milhões) na comparação anual. Dos 23 setores analisados, apenas nove cresceram, com destaque para Alimentos (+28,7%) e Químicos (+13,1%). O setor de Tabaco puxou para baixo, com queda de 11,4%.
Já as importações registraram forte recuo: totalizaram US$ 825 milhões, redução de 38% (menos US$ 506 milhões), influenciada principalmente pela queda na compra de produtos químicos, derivados de petróleo e gás.
Com o início oficial do acordo, a expectativa é de que o RS consolide ainda mais sua posição como um dos principais fornecedores do Brasil para a Europa, especialmente nos setores onde já é referência em qualidade e sanidade.
FONTE/CRÉDITOS: Ascom
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