O uso do glifosato, herbicida mais utilizado no agronegócio brasileiro e um dos mais vendidos do mundo, virou alvo de uma nova batalha judicial que já causa preocupação entre produtores rurais, cooperativas e empresas do setor agrícola. O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação na Justiça Federal pedindo a proibição imediata da substância em todo o território nacional.
A ação foi movida contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal. O MPT pede a suspensão dos registros, da produção, importação, exportação, comercialização e uso de produtos à base de glifosato, alegando riscos à saúde humana, ao meio ambiente e aos trabalhadores rurais expostos ao produto durante o manejo agrícola.
Segundo os procuradores, o pedido se baseia no chamado “princípio da precaução”, diante de estudos internacionais que apontam possíveis ligações entre o glifosato e doenças graves, incluindo câncer. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde, classificou a substância como “provavelmente cancerígena para humanos”.
O glifosato é amplamente utilizado em lavouras de soja, milho, algodão e outras culturas de grande escala. Representantes do setor agropecuário afirmam que uma eventual proibição poderia gerar impactos bilionários, elevar custos de produção, dificultar o controle de plantas daninhas e afetar diretamente a competitividade do Brasil no mercado internacional.
Entidades ligadas ao agronegócio também defendem que o produto continua autorizado pelos órgãos reguladores brasileiros e internacionais, sendo utilizado dentro de critérios técnicos previstos na legislação. Empresas químicas e associações do setor acompanham o caso com preocupação, temendo insegurança jurídica e reflexos já na próxima safra.
A ação judicial ainda será analisada pela Justiça e, até o momento, não existe decisão determinando a suspensão do produto no Brasil. Mesmo assim, o debate voltou a dividir opiniões entre ambientalistas, especialistas em saúde pública e representantes do agronegócio.
FONTE/CRÉDITOS: Folha de S.Paulo, Poder360 e MPT
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