O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) utilizará conexão via satélite da Starlink, empresa da SpaceX, para transmitir os resultados das eleições de 2026 em locais de votação que não contam com infraestrutura convencional de comunicação. A medida prevê o uso de até 1.113 terminais distribuídos por 13 Estados brasileiros.
A contratação foi realizada pelo TSE em março deste ano, por meio de edital, com a empresa Hughes Telecomunicações do Brasil. Os terminais fornecidos pela companhia utilizarão a rede de satélites da Starlink para estabelecer a conexão necessária à transmissão dos dados produzidos pelas urnas eletrônicas.
De acordo com informações repassadas pelo TSE, a definição dos locais que receberão os equipamentos e a logística de distribuição ficarão a cargo dos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), levando em consideração as características geográficas, operacionais e de telecomunicações de cada Estado.
Os equipamentos serão utilizados principalmente em regiões onde a comunicação convencional apresenta limitações. A tecnologia permitirá que os dados sejam enviados a partir dos próprios locais de votação, evitando, em determinadas situações, a necessidade de deslocamento físico de mídias ou equipes até áreas com acesso à internet.
A transmissão ocorrerá por meio do sistema JE-Connect, utilizado pela Justiça Eleitoral para o envio dos arquivos produzidos pelas urnas eletrônicas. Os arquivos são assinados digitalmente antes de serem encaminhados para a totalização dos votos. Uma resolução do TSE prevê que, nos pontos de transmissão remota, podem ser utilizados equipamentos e redes de internet que não pertençam à Justiça Eleitoral, desde que atendam às especificações técnicas estabelecidas pelo Tribunal.
Entre os Estados que terão terminais disponíveis estão Amazonas e Pará, com 350 equipamentos cada. O Mato Grosso contará com 117, enquanto o Acre terá 91. Maranhão e Roraima terão 60 terminais cada, e o Amapá contará com 53.
Também estão previstos equipamentos para Mato Grosso do Sul (9), Goiás (5), Piauí (5), Bahia (4), Paraná (4) e São Paulo (3). Além desses, dois terminais serão destinados ao próprio TSE.
A experiência já está sendo aplicada por tribunais regionais em áreas de difícil acesso. No Maranhão, por exemplo, o TRE utilizará antenas Starlink Mini em 66 locais de votação distribuídos por 22 municípios. Os equipamentos serão instalados em Postos Avançados de Transmissão e utilizados depois do encerramento da votação para encaminhar os boletins de urna ao sistema de totalização.
No Amazonas, a Justiça Eleitoral também prevê a utilização de centenas de antenas Starlink Mini em localidades remotas. A estrutura busca reduzir o tempo necessário para o transporte dos dados produzidos pelas urnas em regiões onde o deslocamento pode depender de longas viagens por rios ou outras dificuldades de acesso.
O uso da conexão via satélite não altera o processo de votação ou os mecanismos de segurança dos arquivos gerados pelas urnas. A tecnologia será utilizada como meio de comunicação para transportar os dados até a estrutura responsável pela totalização.
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