Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o Rio Grande do Sul deve registrar neste ano cerca de 24,5 mil novos casos de câncer de pele não-melanoma. A projeção abrange aproximadamente 14,5 mil diagnósticos positivos em pacientes do sexo feminino e 10 mil do feminino. Somados os gêneros, são quase 219 confirmações para cada 100 mil habitantes.
Já no que se refere ao melanoma – forma menos frequente porém mais agressiva da doença – são estimados outros 790 novos casos no Estado em 2026. Os números são repercutidos pela médica porto-alegrense Telma Giordani, especialista em saúde da pele:
“Quem vive no Rio Grande do Sul conhece os dias frios e nublados em que ninguém pensa em proteção solar. O problema é associarmos radiação ultravioleta à sensação de calor, que são coisas diferentes. O termômetro pode estar baixo e isso não significa que devemos abandonar os cuidados com a pele”.
Capital
Para Porto Alegre, a estimativa do Inca para este ano é de 2.930 novos casos de câncer de pele não-melanoma, sendo 1.230 em homens e 1.700 em mulheres. A taxa bruta é estimada em 208 casos por 100 mil habitantes. O melanoma, por sua vez, deve ter 130 casos adicionais – uma taxa bruta de 8,95 casos por 100 mil habitantes.
Consideradas separadamente as duas modalidades, portanto, são 3 mil novos diagnósticos de câncer de pele na capital gaúcha em um ano. Telma prossegue:
“O dado de Porto Alegre chama atenção porque aproxima um problema que muitas vezes parece distante. Não estamos falando apenas de uma estatística nacional. Estamos falando de milhares de casos estimados dentro da própria cidade. Isso precisa nos fazer pensar em prevenção antes que apareça uma lesão suspeita”.
Inverno
Ainda de acordo com o Instituto, a exposição excessiva à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para o câncer de pele. Os danos provocados pelo excesso de exposição solar também são cumulativos, o que torna importante adotar cuidados desde a infância.
Para a especialista, o inverno pode favorecer uma menor percepção de risco, resultando em descuido por parte da população no que se refere a cuidados preventivos:
“No verão existe um ritual: praia, piscina, chapéu, protetor. No inverno esse ritual desaparece, mas continuamos saindo de casa, caminhando, dirigindo, trabalhando e realizando atividades ao ar livre. O cuidado com a pele não pode depender da estação do ano. Prevenção não significa viver longe do sol, mas estabelecer uma relação mais consciente com a exposição”.
O Inca recomenda evitar a exposição solar sem proteção, sobretudo entre 10h e 16h, bem como combinar diferentes estratégias. Isso inclui buscar sombra, utilizar chapéu, roupas adequadas, óculos escuros e filtro solar nas atividades ao ar-livre.
Observar alterações na pele também contribui para que lesões suspeitas sejam investigadas mais cedo. Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas e manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram estão entre os principais sintomas de câncer de pele não-melanoma.
Mudanças em pintas e sinais também merecem avaliação. “A pessoa não precisa viver procurando a doença no espelho. O que se precisa é estimular o autoconhecimento. Você conhece a sua pele e percebe quando algo mudou. Uma pinta que se transforma, uma lesão diferente ou uma ferida que insiste em não cicatrizar são motivos para procurar avaliação médica”.
Comentários: