A juíza de Direito Sônia Fátima Batistela, do 2º Juizado da Vara Estadual da Saúde Pública, realizou nova audiência no âmbito de uma ação civil pública que tramita contra o governo gaúcho no que se refere à fila por cirurgias bariátricas no Rio Grande do Sul por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). No foco do processo está a redução do tempo de espera e a organização do atendimento a milhares de pacientes com obesidade mórbida.
A magistrada destacou que nem todos os pacientes cadastrados estão aptos ao procedimento cirúrgico: “O objetivo da ação é reduzir a fila de espera, e não necessariamente aumentar o número de cirurgias. Muitos pacientes precisam, antes, passar por acompanhamento multidisciplinar”.
Esse atendimento prévio pode durar de quatro a seis meses e envolve profissionais como nutricionistas e psicólogos, sendo essencial para a adequada indicação do procedimento.
Também foi esclarecido que os pacientes são classificados conforme a gravidade do quadro clínico, em diferentes níveis de prioridade, o que influencia diretamente no tempo de atendimento. Ela analisou documentos apresentados na audiência, indicando, por exemplo, que o paciente com maior tempo de espera na fila de Porto Alegre está classificado como caso de menor urgência.
Nesse contexto, os pacientes são classificados conforme critérios médicos, em diferentes níveis de risco, o que impacta diretamente no tempo de espera para atendimento.
Durante a audiência de conciliação, realizada no contexto da Semana Nacional da Saúde, representantes do governo gaúcho detalharam o funcionamento da rede de atendimento. Eles esclareceram que a fila atual, estimada em cerca de 13 mil pessoas, não corresponde exclusivamente a pacientes aptos à cirurgia imediata.
Esse diálogo direto com gestores públicos permitiu o alinhamento de estratégias e a obtenção de informações concretas sobre o funcionamento do sistema. Participaram do encontro representantes de diversos setores do Estado envolvidos no atendimento aos pacientes, da triagem à realização das cirurgias, o que possibilitou aprofundar a compreensão sobre a dinâmica da fila.
Também foi relatado que está em análise a possibilidade de utilização dos valores oriundos da multa judicial, a serem destinados ao Fundo Estadual de Saúde, para reforçar as ações voltadas à redução da fila de espera.
Próximo encontro
Foi designada nova audiência para o mês de julho, quando será avaliada a efetividade das medidas anunciadas e o eventual redirecionamento dos recursos bloqueados. Até lá, a multa segue sendo aplicada, diante do não cumprimento integral da decisão judicial.
Na ocasião também será analisado o prosseguimento da execução, inclusive quanto ao bloqueio e à destinação dos valores decorrentes da penalidade. O objetivo central da ação não é apenas a realização das cirurgias, mas a organização e a racionalização da fila, garantindo prioridade aos casos mais graves.
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